Já cá faltava. Para justificar a bondade do aumento dos transportes em 15% e abrir o caminho ao fim do passe social tal como o conhecemos, uma deputada do PSD (Carina Oliveira) considerou injusto que os ricos possam ter direito a passe social. Assim, em nome da justiça social, para os Belmiros de Azevedo, Espíritos Santos, Mellos e Pereiras Coutinhos, acaba-se a mama de andar de passe social. Se quiserem dispensar os motoristas, parquear os ferraris e ir para a bicha do autocarro, pagam bilhete que se tramam.

Este princípio é para aplicar a tudo: nos transportes, no ensino, nos hospitais, nas farmácias, em todo o lado, onde os ricos possam pagar. Sempre em nome da justiça social, há que distinguir os pobres (que terão isenções se conseguirem vencer as burocracias destinadas a certificar a sua indigência) dos ricos, que são todos aqueles que auferem mais de 480 euros por mês (o limiar da fortuna). Ou seja: nós, os ricos.