
Na passada semana, a crise financeira e económica continuou a sua marcha internacional, com os respectivos ecos nacionais, as notícias do escândalo do BPN sucederam-se, com uma surpresa cada vez menor, e a dificuldade financeira do BPP acentuou-se, à medida que se vão conhecendo os detalhes do respectivo exercício financeiro.
No entanto, no meio de toda esta ondulação bancária, um banco parece ter exibido os seus melhores resultados de sempre: o Banco Alimentar contra a Fome. Na realidade, o ano de 2008 revelou a maior recolha de sempre de bens alimentares para serem encaminhados para as famílias mais frágeis, através de instituições de solidariedade social. Uma autêntica notícia positiva, anti-crise e pró-solidariedade.
Esta notícia merece-nos uma breve reflexão. Por um lado, observamos alguns exemplos de profundo egoísmo e cinismo, por parte dos que mais têm. Uma ânsia tal de procura do lucro fácil que quase levou ao colapso da economia global, prejudicando milhões e milhões de pessoas, em todo o planeta, que hoje têm vidas bem mais difíceis. Por outro lado, vemos edificantes evidências de profunda solidariedade e preocupação com os mais frágeis, por parte da esmagadora maioria dos cidadãos que, vivendo num momento de sérias dificuldades, ofereceram mais este ano do que em anos anteriores.
Que grande diferença de postura na vida: os que mais têm, mais querem ter, não olhando a meios; os que menos têm, mais dividem, não olhando ao que lhes sobra.
* texto publicado no jornal Diário do SUL